Conheça um pouco sobre o processo de criação dos produtos das marcas consideradas ícones no mundo fashion
Por Mariana Pastore
Além da qualidade e elegância inegáveis, alguns produtos das marcas mais consagradas do mercado de luxo internacional escondem um complexo processo de fabricação até chegar às lojas. Isso não chega a justificar o número de dígitos no cartão de crédito, mas ajuda a compreender a excelência da grife. O Guia da Semana separou produtos de alguns ícones do mundo fashion que explicam, em parte, o preço da etiqueta. Confira!
• Bolsas
Monogram Denim Patchwork, por R$ 9.100,00
Divulgação
Quando pensamos em bolsas de grife, um dos primeiros nomes que nos vem à cabeça é sem dúvida nenhuma o da marca francesa Louis Vuitton . Além de ser uma entre as mais cobiçadas, também está no ranking das mais copiadas. A grande diferença está na qualidade que representa, com todo o seu processo de fabricação que resulta em uma bolsa para a vida inteira.
Só para ter se ter uma idéia, os acessórios passam por uma série de testes: os produtos são expostos a raios ultravioletas para testar a qualidade do couro; os zíperes são abertos e fechados mais de 300 vezes por máquinas especiais; as bolsas são arremessadas a uma distância de dois metros, durante 50 vezes, por um braço mecânico; e os acabamentos internos são costurados manualmente. Durante toda a longa criação, uma Louis Vuitton passa por no mínimo 30 pessoas, desde corte, costura, bordados e acabamento final. Até as tachinhas pregadas nos baús obedecem a uma distância exata entre si. Todo esse cuidado não poderia deixar de gerar uma peça praticamente perfeita!
• Relógios
Date just, por R$ 19.855,00
Outro sinônimo de excelência indiscutível e vanguarda quando falamos em relógios de pulso é a marca Rolex. O que a distingue das outras é sua aparência característica, de apelo universal. Também podemos considerar todo o cuidado tomado na decoração do interior de um modelo – as peças que o usuário nunca vê. Na sede da empresa em Genebra, os artesãos sobem em estações de trabalho ergonomicamente projetadas e então executam em silêncio minuciosas operações. Cada componente de todo movimento é esculpido com espirais, linhas ou voltas e cada ângulo é arredondado e polido até brilhar. Isto não acrescenta nenhum benefício visível, mas é um gesto que atesta o refinamento da marca.
Antes de sair de Genebra, cada relógio passa por uma pista de obstáculos de testes de controle de qualidade high-tech. Cada mostrador, aro e coroa é checado e rechecado com relação a riscos, poeira e imperfeições estáticas. A distância microscópica entre os ponteiros de horas e minutos é calibrada com capricho para assegurar que eles permanecerão perfeitamente paralelos. Apenas após passar por dezenas de testes, o relógio recebe o selo Rolex. Esta atenção detalhada limita a produção a cerca de 650 mil modelos por ano.
A marca produz seus próprios movimentos e mais de 200 artesãos e técnicos trabalham em um único relógio para que ele adquira a certificação da Rolex. Uma das políticas da grife sempre foi nunca mudar apenas ao sabor da moda.
• Sapatos
Barcelona, por R$ 698,00
Divulgação
Alguns sapatos também chegam a custar preços exorbitantes se comparados à maioria encontrada. Um bom exemplo é a marca de sapatos brasileira Sarah Chofakian, que emergiu recentemente ao mercado de luxo. Apesar de não ter a mesma tradição dos grandes ícones fashion citados, não abre mão da qualidade e do alto preço.
O trabalho iniciou-se com muita pesquisa no mercado europeu, quando Sarah percebeu que faltavam produtos diferenciados no país. Rapidamente, introduziu o sapato como moda e passou a criar calçados exclusivos para uma marca própria. Hoje, a grife é sinônimo de requinte e qualidade. Concretizou-se uma parceria com uma fábrica que produz em média 2,5 mil pares por mês. O trabalho é feito artesanalmente sem abrir mão de matérias-primas nobres. Algumas regras são seguidas religiosamente como a palmilha de pelica e o solado de couro natural. Alguns sapatos têm produção limitada e modelagem autêntica e delicada, resultando em peças que esbanjam glamour.
• Jeans
Slylow SP, por R$ 838,00
Outro produto que apresenta preço bastante elevado é um segmento da velha conhecida calça jeans. Atualmente, muitos modelos chegam a mais de mil reais. Criada no século XIX para operários, ninguém imaginaria que hoje o novo conceito jeans premium poderia ganhar status de artigo de luxo. A matéria-prima de todos os modelos é o denim – que leva esse nome por ter sido fabricada na cidade francesa de Nimes – um tecido durável e resistente. No Brasil, os modelos podem ser encontrados em lojas como Miss Sixty , Jeans Hall e Diesel.
O conceito do jeans premium está ligado ao atributo exclusividade e baseia-se em três pilares: fabric, a utilização dos melhores tecidos do mundo, como o denim americano, italiano e japonês – este último é considerado o crème de la crème do denim; fit, caimento perfeito por conta dos cortes e modelagens que valorizam as medidas; e finish, acabamento e lavagens diferenciados que resultam em peças exclusivas por serem artesanais. Algumas peças chegam até a ser numeradas, como convém a um jeans premium.
Quanto menos peças forem produzidas de cada item, mais desejado e de alto custo é o produto. Para ter uma calça dessas, é preciso desembolsar algo em torno de quatro dígitos. Mas não há do que reclamar ao falar do mercado de luxo. A lógica é exatamente essa: vender por, e não apesar de, ser caro!
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